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Afrofuturismo: conheça esse gênero artístico que mistura cultura africana com ficção científica

3 de Maio de 2018

por: MKT Positivo

Você sabe o que é afrofuturismo? O sucesso recente do filme Pantera Negra, da Marvel, despertou em muitas pessoas uma curiosidade por conhecer um pouco mais sobre o gênero artístico que influenciou visualmente o desenvolvimento da produção. Embora ele não seja algo novo, só agora ele ganhou destaque, sendo acessado pela cultura de massa.

Para que você possa compreender um pouco mais sobre esse estilo e qual é a sua proposta, é preciso viajar um pouco no tempo. O termo “afrofuturismo” foi cunhado em 1993, pelo crítico Mark Dery. No entanto, as primeiras manifestações desse movimento na arte foram registradas já no final da década de 50.

®GIPHY

Afinal, o que é afrofuturismo?

Podemos entender o afrofuturismo como um movimento estético, social e cultural que combina elementos da ficção científica e da fantasia com temáticas não-ocidentais, como a cultura africana. Como pano de fundo, as temáticas costumam retratar os dilemas da população negra e questionar eventos históricos ligados ao racismo e à discriminação racial.

Assim, abrangendo diversas narrativas ficcionais, as obras ligadas a esse tema tentam especular fatos do passado ou projetar o futuro a partir da perspectiva dos negros e ainda dos habitantes do continente africano.

®DROJAN VISUAIS

De acordo com uma reportagem do site CanalTech, que reproduz uma entrevista com Kênia Freitas, curadora da mostra “Afrofuturismo: cinema e música em uma diáspora intergaláctica”, realizada há alguns anos em São Paulo, o movimento propõe uma subversão do pensamento.

“Histórias de repressão, violência e racismo – mesmo que com outras espécies de alienígenas, outras sociedades, outros planetas e outros tempos –, acaba sendo, no final das contas, uma forma de repensar e criticar o presente”, explica.

As origens do afrofuturismo

A obra que é considerada o marco do afrofuturismo é Invisible Man, de Ralph Ellison, publicada em 1952 – inédito no Brasil. Na obra, o autor critica o futuro com poucas opções que os negros teriam nos Estados Unidos e, mesmo sem oferecer boas perspectivas de futuro à comunidade, marca o gênero por proporcionar a reflexão sobre o tema.

Manifestações na música, com Sun Ra e George Clinton, com o grupo Parliament-Funkadelic, nos anos 70, e Grace Jones, são consideradas algumas das mais importantes. O tema foi reunido sob o nome de “afrofuturismo” em um ensaio de Mark Dery, intitulado Black to the Future. Nos últimos anos, artistas como Beyoncé e Rihanna também são apontadas como responsáveis por trazer essa estética para a cultura pop.

No Brasil, um dos expoentes do movimento é Fábio Kabral, escritor autor de O Caçador Cibernético da Rua 13, um romance que mistura crenças do Candomblé em um planeta tecnologicamente avançado. A ambientação, sem dúvida alguma, lembra a de Wakanda, nação fictícia explorada no filme Pantera Negra.

Uma temática cada vez mais presente

O sucesso de Pantera Negra abriu as portas não apenas para mostrar a cultura negra sob uma nova perspectiva – a elaborada por eles mesmos – como também despertou no público o interesse em se aprofundar nessa temática.

“O afrofuturismo é sonho, mas também é concretização. E é assim que se cria uma cultura, mais aberta a discutir mudanças estruturais necessárias. É assim, também, que se entende que implementações de políticas sociais são tão importantes quanto a radicalização das lutas”, destaca Marcio Black, cientista político e produtor cultural.

®THAYS BERBE

Para saber mais sobre o tema, recomendamos reportagens e artigos publicados na Revista Cult, nos sites Voicers e Ponto Eletrônico, e no Medium do escritor Fábio Kabral. Dado o sucesso do filme, a estética e os valores do afrofuturismo devem estar cada vez mais presentes na literatura, no cinema e na música daqui por diante.

Fonte(s): CanalTech e Geledes